Reta final de nossa
jornada, Roma. Pegamos o último trem da viagem, querendo que fosse o
último trem de nossas vidas àquelas alturas do campeonato, porque
chegamos à conclusão que mochilar pela Europa é isso mesmo, ou
seja, usar MOCHILAS, e não malas-elefantes com mais de 30 kg, as
quais tu tens que carregar para cima e para baixo e na maioria das
vezes, não tem lugar para acondicionar no trem. O de Torino a Roma
era o pior de todos que pegamos, caindo aos pedaços e meio sujo por
dentro, mas como fomos duas das poucas pessoas que pegaram na estação
de Torino, conseguimos colocar as malas juntas e de forma que,
levantando do assento, pudéssemos vê-las.
Após o pior almoço da
viagem (possivelmente da minha vida, pensando bem), consistindo de um
sanduíche seco de pão, queijo e copa, tomamos um chá de assento.
Tudo bem, a paisagem mais uma vez era MARAVILHOSA, pois dessa vez
passamos por parte da Riviera Italiana, então passamos por encostas,
vimos o Mar Mediterrâneo e o sol sobre ele, uma visão digna de
pintura, e as pitorescas cidadezinhas litorâneas da Itália. Mas
estávamos DENTRO do trem, que por sinal parou em mais de 10
estações no caminho, em cidades que eu nem lembro o nome, e a cada
uma delas, pessoas subiam e desciam, como se fosse um ônibus
metropolitano! Perdemos literalmente o dia todo com isso, e chegamos
à estação Roma Termini já era passado das 20h. A pousada era
supostamente a uma quadra dali, então resolvemos enfrentar o peso
das malas pela última vez e ir à pé. Aconteceu uma situação
bizarra então: ao chegarmos no suposto endereço, tocamos na
campainha e nada de atenderem. No papel da reserva, dizia que era
para dirigirmos num outro endereço, na outra quadra, na Via
Palestro, mas as teimosas foram direto e não tinha ninguém pra nos
receber, então tive que deixar a Mel com as malas praticamente no
meio da rua e fui ao outro lugar. Ao chegar lá, era um bar, e a
mulher era uma oriental que mal falava inglês, mas conseguimos nos
entender e ela explicou que, como tínhamos reservado um quarto com
banheiro, nosso quarto era a uma quadra do bar, e não onde tínhamos
ido antes. Fomos buscar a Mel então e finalmente chegamos ao lugar
certo, um condomínio de três blocos na Via Palestro, com
apartamentos residenciais e conjuntos comerciais, tudo junto. Pra
piorar, nosso quarto era no último andar e quase pensamos em
desistir, mas tinha elevador. Essa pessoa fazia como a de Torino, ela
comprou um apartamento no prédio e dividiu-o em vários quartos
independentes uns dos outros, com banheiro e tudo. O nosso era o
primeiro, e era bastante confortável apesar de sombrio, mas nosso
psicológico já estava meio abalado e achamos tudo meio estranho,
era um condomínio mas não tinha barulho de gente, não tinha
telefone, nem um número para chamar algum responsável, mas era
passado das 21h, então tínhamos que ficar por lá pela noite.
Compramos uma pizza num restaurante da esquina e comemos no quarto,
EXAUSTAS por causa do longo dia de viagem e com a cabeça cheia de
minhocas sobre a reputação de falta de segurança nos hotéis e
pousadas italianos...
Nosso último dia na
Europa não era para ser nosso último dia na Europa! Hehe Nosso
plano era passar dois dias em Roma, sexta e sábado, dias 15 e 16 de
fevereiro, mas houve uma reviravolta aos 45 minutos do segundo tempo,
como diriam os chegados em futebol! Como eu disse antes, estávamos
exaustas física e mentalmente, com saudades de casa e principalmente
de nossas camas e de não ter que carregar 30kg de malas por aí,
então fizemos um acordo de tentar ligar para o aeroporto e antecipar
nosso voo de volta, nem que fosse algumas horas. Ao sairmos de casa
naquela manhã de sexta, tentamos executar o plano, mas sem sucesso,
pois pegamos o número do aeroporto mas não conseguíamos ligar do
celular da Mel. Então, decidimos ir adiante nos passeios e tentar
novamente ao longo do dia. Roma é uma cidade grande, mas o tamanho
está mais nos prédios do que nas distâncias. Fomos a pé até as
Termas de Diocleciano, que ficava perto do nosso apê, e após
pegarmos um mapa da cidade, resolvemos ver o que estava mais longe
primeiro e ir chegando mais perto. Pegamos um táxi e fomos então
para o Coliseu. A sensação que tive ao chegar lá foi parecida com
a que tive ao vislumbrar a pirâmide do Louvre, um arrepio
percorrendo minha espinha de cima abaixo. Aquilo lá é ENORME,
impressiona só de olhar por fora, e quando a gente pensa no quanto
de história que ele carrega, a emoção só aumenta. Enfrentamos uma
fila considerável para entrar nele, que, do contrário que muitos
pensam, não é uma arena, mas sim uma série de labirintos cercados
por camarotes e galerias. É tudo tão grande que até os degraus que
levavam do primeiro ao segundo andar tinham uns 50 cm de altura ou
mais, e super íngremes, não tinha como subir ou descer as escadas
sem se segurar no corrimão! Mas a vista lá de cima é algo
espetacular, tu vês boa parte da cidade, principalmente o Foro
Romano e o Paladino, coisas que, na época, eu só tinha ouvido
falar, mas não tinha ideia da real importância. Depois de muitas
fotos e de explorar ao máximo o Coliseu, passamos pelo Arco de
Otávio, através da Via Sacra, e entramos no Foro Romano e Paladino.
Aí, sim, o arrepio tomou conta. Sabe o que é tu olhar em volta e
imaginar que, há poucos milhares de anos, aquilo ali era o centro da
civilização ocidental, com construções, casas, prédios públicos,
e agora tudo não passa de ruína? Entramos no que dava para entrar,
passeamos pelos caminhos, tiramos fotos dos objetos de decoração e
pinturas remanescentes, e de lá, à pé, começamos a peregrinação.
Primeiro, o Circo Maximo, onde os romanos faziam corridas de bigas e
desfiles; a seguir, La Bocca de la Verità, a igreja e o monumento
cuja lenda diz que, se tu colocares a mão na Boca e fores mentiroso,
ela engole tua mão!!! É claro que testamos, mas ainda temos as duas
mãos... haha Fomos caminhando até o Capitólio, depois estivemos no
Pantheon (que era um templo para todos os deuses romanos, mas com o
catolicismo ele virou uma igreja, então tu vês, lado a lado,
estátuas de deuses e de santos), na Piazza Navona (que estava em
reforma, ugh!) e seguimos para o Castelo de Santo Ângelo, que fica
do outro lado do rio Tigre e é a entrada para a Via Della
Conzolazione, que leva à Piazza di San Pietro e, consequentemente, à
Basílica. Não entramos no Castelo, mas tiramos fotos na ponte, da
entrada... Seguimos andando pela Via, porque tínhamos a intenção
de visitar a Basílica, e no caminho, tinha um centro de ajuda ao
turista. Esse foi o primeiro sinal. Entramos e pedimos ajuda para
ligar para o aeroporto. O rapaz nos ensinou e finalmente conseguimos!
Bom, primeiro passo estava dado. Pedi para falar com a Varig e me
deram o número, então liguei de novo e a atendente falava português
– segundo sinal. Falei com ela sobre o nosso voo, se não daria
para antecipar, e então ela me deu a singela notícia que o nosso
voo do dia seguinte tinha sido cancelado!!! Ao ver meu pânico, ela
se corrigiu, dizendo que o voo Varig não aconteceria, mas que
voaríamos de Alitalia até Paris e pegaríamos um voo lá. Então
resolvi perguntar se não havia um voo naquele dia mesmo, e ela não
só respondeu que sim, mas também que ainda tinha lugar para nós
duas e que, se quiséssemos, era só chegar no aeroporto e pedir para
trocar a passagem. AQUILO FOI BOM DEMAIS PARA SER VERDADE, MAS
ERA!!!! Foi realmente um sinal divino, estarmos quase diante da
entrada do Vaticano e nossa sorte mudar dessa maneira! Bom, com ânimo
renovado, decidimos então NÃO visitar a Basílica, pois apesar de
ser de graça, a fila para a revista das bolsas era quilométrica,
então corríamos o risco de não conseguir voltar à tempo pro
apartamento e perder o voo. Saímos dali correndo e decidimos ir de
táxi para as duas últimas paradas então: Fontana di Trevi, que
estava lotada de turistas, mas ninguém jogando moedas, e Hard Rock
Café, na Via Venetto, que é parada obrigatória em todas as cidades
que vamos e que tem o restaurante. Um dos taxistas que pegamos era
super legal e combinamos com ele de nos pegar no prédio e nos levar
ao aeroporto, que era super longe do centro, por 45 Euro, mais barato
que os caras queriam na Termini. Chegamos no quarto felizes porque
íamos voltar pra casa e ficamos mais felizes ainda porque nossas
coisas estavam ali ainda, intactas! Arrumamos tudo, tomamos banho e
ficamos esperando o táxi, que chegou pontualmente na hora marcada.
Nossa “viagem” até o aeroporto Fiumicino, ou Leonardo da Vinci,
foi de uns 40 minutos, que passaram voando, e nossa espera no
aeroporto também não foi cansativa, porque nosso voo era cedo,
pelas 20h, e como ele é uma cidade, perambulamos por ele, fizemos
compras... Quando aquele avião decolou, o peso nos ombros
literalmente aliviou, porque estávamos finalmente voltando para
casa.
Pode parecer que a
experiência em Roma foi ruim, mas é claro que não foi; se tem
alguma coisa que ela foi é curta demais, por isso que, um dia
pretendo voltar lá. Não visitamos a famosa Piazza di Spagna, das
escadarias; não entramos na Basílica de São Pedro pra ver a Capela
Sistina... Enfim, ficou muita coisas para ver de uma próxima vez, o
que é até bom, para que não seja chato. A única coisa ruim dos
italianos é que eles não parecem europeus; na verdade, eu achei o
povo bem parecido com o brasileiro, meio mal-educado, rude, e sem o
menor respeito pelas leis de trânsito, até pior do que aqui. Em
Torino já tinha notado isso, mas como a cidade é menor e tem menos
turismo, não é tão acentuado. Mas Roma pulula de gente e os
italianos não são os mais prestativos, perdendo até para os
franceses, que, se abordados em francês, são bastante agradáveis.
E com certeza nem se comparam aos educados, simpáticos e
bem-humorados ingleses e escoceses...
A Europa é o velho
mundo e deve ser respeitada como tal, pois ela carrega a história da
nossa civilização ocidental e dá pra vê-la nas pedras, nas obras,
na natureza dos lugares. Pretendo seriamente voltar aos lugares que
visitei e conhecer outros, porém, NUNCA MAIS no inverno e com a mala
enorme que levei, e se o fizer, ao menos NUNCA MAIS de trem. Trens
são para curtas distâncias sem bagagem, ou longas distâncias
quando se tem menos de 25 anos de idade... 14 dias pareceram meses e
isso contribuiu para tirar um pouco o brilho do fim da viagem, mas a
gente aprende com a experiência e vai se adaptando para as próximas.
Por falar em próxima,
preparem-se: o relato de nossos 34 dias nos Estados Unidos vem a
seguir!!!
Beijos e desculpem a
falta de objetividade! xoxo











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