Sunday, August 5, 2012

Itália Parte 2: Roma - 14 e 15/2/2008 - FIM DE VIAGEM!!!


Reta final de nossa jornada, Roma. Pegamos o último trem da viagem, querendo que fosse o último trem de nossas vidas àquelas alturas do campeonato, porque chegamos à conclusão que mochilar pela Europa é isso mesmo, ou seja, usar MOCHILAS, e não malas-elefantes com mais de 30 kg, as quais tu tens que carregar para cima e para baixo e na maioria das vezes, não tem lugar para acondicionar no trem. O de Torino a Roma era o pior de todos que pegamos, caindo aos pedaços e meio sujo por dentro, mas como fomos duas das poucas pessoas que pegaram na estação de Torino, conseguimos colocar as malas juntas e de forma que, levantando do assento, pudéssemos vê-las.
Após o pior almoço da viagem (possivelmente da minha vida, pensando bem), consistindo de um sanduíche seco de pão, queijo e copa, tomamos um chá de assento. Tudo bem, a paisagem mais uma vez era MARAVILHOSA, pois dessa vez passamos por parte da Riviera Italiana, então passamos por encostas, vimos o Mar Mediterrâneo e o sol sobre ele, uma visão digna de pintura, e as pitorescas cidadezinhas litorâneas da Itália. Mas estávamos DENTRO do trem, que por sinal parou em mais de 10 estações no caminho, em cidades que eu nem lembro o nome, e a cada uma delas, pessoas subiam e desciam, como se fosse um ônibus metropolitano! Perdemos literalmente o dia todo com isso, e chegamos à estação Roma Termini já era passado das 20h. A pousada era supostamente a uma quadra dali, então resolvemos enfrentar o peso das malas pela última vez e ir à pé. Aconteceu uma situação bizarra então: ao chegarmos no suposto endereço, tocamos na campainha e nada de atenderem. No papel da reserva, dizia que era para dirigirmos num outro endereço, na outra quadra, na Via Palestro, mas as teimosas foram direto e não tinha ninguém pra nos receber, então tive que deixar a Mel com as malas praticamente no meio da rua e fui ao outro lugar. Ao chegar lá, era um bar, e a mulher era uma oriental que mal falava inglês, mas conseguimos nos entender e ela explicou que, como tínhamos reservado um quarto com banheiro, nosso quarto era a uma quadra do bar, e não onde tínhamos ido antes. Fomos buscar a Mel então e finalmente chegamos ao lugar certo, um condomínio de três blocos na Via Palestro, com apartamentos residenciais e conjuntos comerciais, tudo junto. Pra piorar, nosso quarto era no último andar e quase pensamos em desistir, mas tinha elevador. Essa pessoa fazia como a de Torino, ela comprou um apartamento no prédio e dividiu-o em vários quartos independentes uns dos outros, com banheiro e tudo. O nosso era o primeiro, e era bastante confortável apesar de sombrio, mas nosso psicológico já estava meio abalado e achamos tudo meio estranho, era um condomínio mas não tinha barulho de gente, não tinha telefone, nem um número para chamar algum responsável, mas era passado das 21h, então tínhamos que ficar por lá pela noite. Compramos uma pizza num restaurante da esquina e comemos no quarto, EXAUSTAS por causa do longo dia de viagem e com a cabeça cheia de minhocas sobre a reputação de falta de segurança nos hotéis e pousadas italianos...
Nosso último dia na Europa não era para ser nosso último dia na Europa! Hehe Nosso plano era passar dois dias em Roma, sexta e sábado, dias 15 e 16 de fevereiro, mas houve uma reviravolta aos 45 minutos do segundo tempo, como diriam os chegados em futebol! Como eu disse antes, estávamos exaustas física e mentalmente, com saudades de casa e principalmente de nossas camas e de não ter que carregar 30kg de malas por aí, então fizemos um acordo de tentar ligar para o aeroporto e antecipar nosso voo de volta, nem que fosse algumas horas. Ao sairmos de casa naquela manhã de sexta, tentamos executar o plano, mas sem sucesso, pois pegamos o número do aeroporto mas não conseguíamos ligar do celular da Mel. Então, decidimos ir adiante nos passeios e tentar novamente ao longo do dia. Roma é uma cidade grande, mas o tamanho está mais nos prédios do que nas distâncias. Fomos a pé até as Termas de Diocleciano, que ficava perto do nosso apê, e após pegarmos um mapa da cidade, resolvemos ver o que estava mais longe primeiro e ir chegando mais perto. Pegamos um táxi e fomos então para o Coliseu. A sensação que tive ao chegar lá foi parecida com a que tive ao vislumbrar a pirâmide do Louvre, um arrepio percorrendo minha espinha de cima abaixo. Aquilo lá é ENORME, impressiona só de olhar por fora, e quando a gente pensa no quanto de história que ele carrega, a emoção só aumenta. Enfrentamos uma fila considerável para entrar nele, que, do contrário que muitos pensam, não é uma arena, mas sim uma série de labirintos cercados por camarotes e galerias. É tudo tão grande que até os degraus que levavam do primeiro ao segundo andar tinham uns 50 cm de altura ou mais, e super íngremes, não tinha como subir ou descer as escadas sem se segurar no corrimão! Mas a vista lá de cima é algo espetacular, tu vês boa parte da cidade, principalmente o Foro Romano e o Paladino, coisas que, na época, eu só tinha ouvido falar, mas não tinha ideia da real importância. Depois de muitas fotos e de explorar ao máximo o Coliseu, passamos pelo Arco de Otávio, através da Via Sacra, e entramos no Foro Romano e Paladino. Aí, sim, o arrepio tomou conta. Sabe o que é tu olhar em volta e imaginar que, há poucos milhares de anos, aquilo ali era o centro da civilização ocidental, com construções, casas, prédios públicos, e agora tudo não passa de ruína? Entramos no que dava para entrar, passeamos pelos caminhos, tiramos fotos dos objetos de decoração e pinturas remanescentes, e de lá, à pé, começamos a peregrinação. Primeiro, o Circo Maximo, onde os romanos faziam corridas de bigas e desfiles; a seguir, La Bocca de la Verità, a igreja e o monumento cuja lenda diz que, se tu colocares a mão na Boca e fores mentiroso, ela engole tua mão!!! É claro que testamos, mas ainda temos as duas mãos... haha Fomos caminhando até o Capitólio, depois estivemos no Pantheon (que era um templo para todos os deuses romanos, mas com o catolicismo ele virou uma igreja, então tu vês, lado a lado, estátuas de deuses e de santos), na Piazza Navona (que estava em reforma, ugh!) e seguimos para o Castelo de Santo Ângelo, que fica do outro lado do rio Tigre e é a entrada para a Via Della Conzolazione, que leva à Piazza di San Pietro e, consequentemente, à Basílica. Não entramos no Castelo, mas tiramos fotos na ponte, da entrada... Seguimos andando pela Via, porque tínhamos a intenção de visitar a Basílica, e no caminho, tinha um centro de ajuda ao turista. Esse foi o primeiro sinal. Entramos e pedimos ajuda para ligar para o aeroporto. O rapaz nos ensinou e finalmente conseguimos! Bom, primeiro passo estava dado. Pedi para falar com a Varig e me deram o número, então liguei de novo e a atendente falava português – segundo sinal. Falei com ela sobre o nosso voo, se não daria para antecipar, e então ela me deu a singela notícia que o nosso voo do dia seguinte tinha sido cancelado!!! Ao ver meu pânico, ela se corrigiu, dizendo que o voo Varig não aconteceria, mas que voaríamos de Alitalia até Paris e pegaríamos um voo lá. Então resolvi perguntar se não havia um voo naquele dia mesmo, e ela não só respondeu que sim, mas também que ainda tinha lugar para nós duas e que, se quiséssemos, era só chegar no aeroporto e pedir para trocar a passagem. AQUILO FOI BOM DEMAIS PARA SER VERDADE, MAS ERA!!!! Foi realmente um sinal divino, estarmos quase diante da entrada do Vaticano e nossa sorte mudar dessa maneira! Bom, com ânimo renovado, decidimos então NÃO visitar a Basílica, pois apesar de ser de graça, a fila para a revista das bolsas era quilométrica, então corríamos o risco de não conseguir voltar à tempo pro apartamento e perder o voo. Saímos dali correndo e decidimos ir de táxi para as duas últimas paradas então: Fontana di Trevi, que estava lotada de turistas, mas ninguém jogando moedas, e Hard Rock Café, na Via Venetto, que é parada obrigatória em todas as cidades que vamos e que tem o restaurante. Um dos taxistas que pegamos era super legal e combinamos com ele de nos pegar no prédio e nos levar ao aeroporto, que era super longe do centro, por 45 Euro, mais barato que os caras queriam na Termini. Chegamos no quarto felizes porque íamos voltar pra casa e ficamos mais felizes ainda porque nossas coisas estavam ali ainda, intactas! Arrumamos tudo, tomamos banho e ficamos esperando o táxi, que chegou pontualmente na hora marcada. Nossa “viagem” até o aeroporto Fiumicino, ou Leonardo da Vinci, foi de uns 40 minutos, que passaram voando, e nossa espera no aeroporto também não foi cansativa, porque nosso voo era cedo, pelas 20h, e como ele é uma cidade, perambulamos por ele, fizemos compras... Quando aquele avião decolou, o peso nos ombros literalmente aliviou, porque estávamos finalmente voltando para casa.
Pode parecer que a experiência em Roma foi ruim, mas é claro que não foi; se tem alguma coisa que ela foi é curta demais, por isso que, um dia pretendo voltar lá. Não visitamos a famosa Piazza di Spagna, das escadarias; não entramos na Basílica de São Pedro pra ver a Capela Sistina... Enfim, ficou muita coisas para ver de uma próxima vez, o que é até bom, para que não seja chato. A única coisa ruim dos italianos é que eles não parecem europeus; na verdade, eu achei o povo bem parecido com o brasileiro, meio mal-educado, rude, e sem o menor respeito pelas leis de trânsito, até pior do que aqui. Em Torino já tinha notado isso, mas como a cidade é menor e tem menos turismo, não é tão acentuado. Mas Roma pulula de gente e os italianos não são os mais prestativos, perdendo até para os franceses, que, se abordados em francês, são bastante agradáveis. E com certeza nem se comparam aos educados, simpáticos e bem-humorados ingleses e escoceses...
A Europa é o velho mundo e deve ser respeitada como tal, pois ela carrega a história da nossa civilização ocidental e dá pra vê-la nas pedras, nas obras, na natureza dos lugares. Pretendo seriamente voltar aos lugares que visitei e conhecer outros, porém, NUNCA MAIS no inverno e com a mala enorme que levei, e se o fizer, ao menos NUNCA MAIS de trem. Trens são para curtas distâncias sem bagagem, ou longas distâncias quando se tem menos de 25 anos de idade... 14 dias pareceram meses e isso contribuiu para tirar um pouco o brilho do fim da viagem, mas a gente aprende com a experiência e vai se adaptando para as próximas.
Por falar em próxima, preparem-se: o relato de nossos 34 dias nos Estados Unidos vem a seguir!!!
Beijos e desculpem a falta de objetividade! xoxo











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